Pharmaceutical Technology Brasil Ed. 6-23

Pharmaceutical Technology 26 Edição Brasileira - Vol. 27 / Nº6 aprimorado com menos perturbações. O desenvolvimento de um método de tecnologia analítica de processo (PAT) on-line é simplificado devido ao núme- ro reduzido de espectros, e a análise é menos variável e mais preditiva. Além disso, um modelo dinâmico de distri- buição de tempo de residência (RTD) do API em uma mistura com um único excipiente coprocessado tudo-em-um pode ser mais preciso. Uma segunda tendência notável é o coprocessamento de APIs com exci- pientes, em outras palavras, produtos farmacêuticos formulados coproces- sados. Essa abordagem está sendo explorada como um meio de superar os desafios de fabricação associados às formulações de CD, diz Assis. Os medicamentos podem ser pré- -misturados com excipientes, como sílica pirogênica, granulados a seco ou processados com materiais de baixo ponto de fusão, incluindo poloxâmeros (P 188 ou P 407), PEGs de alto peso molecular (3350, 6000, 8000) e po- vidonas de baixo peso molecular (PVP K-12 ou K-17) por meio de granulação por fusão ou revestimento por fusão usando uma extrusora, de acordo com Assis. O ácido esteárico, o acetato de polivinila e outras ceras, por sua vez, podem ser usados para produtos de liberação sustentada. “O coproces- samento do IFA e dos excipientes pode resultar em melhor formato de partícula, fluidez, compressibilidade, estabilidade e dissolução, além de melhorar o sabor”, afirma ele. Além dessas duas tendências, Assis destaca os esforços das empresas farmacêuticas e dos fabricantes de ex- cipientes para criar novos excipientes coprocessados com funcionalidades aprimoradas, especialmente excipien- tes coprocessados que podem melho- rar a solubilidade, a biodisponibilidade, a estabilidade e o desempenho geral do medicamento. Essas propriedades aprimoradas permitiram que os excipientes copro- cessados desempenhassem um papel cada vez maior no desenvolvimento de sistemas avançados de administração de medicamentos, incluindo formula- ções de liberação controlada, sistemas multiparticulados e dispersões sólidas amorfas. “Os excipientes coproces- sados também foram explorados em sistemas de administração de medi- camentos tópicos e transdérmicos, facilitando a penetração de medica- mentos através da pele e melhorando a administração localizada de medi- camentos, ao mesmo tempo em que proporcionam um processamento fácil e rápido”, comenta Assis. Além disso, os excipientes coproces- sados têm sido usados para melhorar a adesão do paciente ao possibilitar o desenvolvimento de comprimidos mais fáceis de engolir, formulações que mascaram o sabor e outras formas de dosagem amigáveis ao paciente, de acordo com Assis. Ele também observa que as colaborações entre fabrican- tes de medicamentos e empresas de excipientes com foco no desenvolvi- mento de excipientes coprocessados inovadores para medicamentos e áreas terapêuticas específicas aumentaram em número nos últimos anos. Cenário regulatório Embora os formuladores estejam agora mais abertos aos excipientes coprocessados do que no passado, o cenário regulatório ainda pode ser um obstáculo. Em contraste com os excipientes tradicionais, os excipientes coprocessados não têm monogra- fias dedicadas na farmacopeia e são tratados quase como novidade pelas autoridades regulatórias se ainda não forem usados em medicamentos já aprovados, observa Schäfer. Como re- sultado, há certa incerteza regulatória para novos excipientes coprocessados, pois eles só podem ser introduzidos como parte de um novo pedido de registro de medicamento. “Atualmen- te, muitas empresas farmacêuticas hesitam em assumir esse esforço e risco maiores”, comenta Schäfer.No entanto, as autoridades regulatórias estão cientes de que há limitações na capacidade dos excipientes tra- dicionais de solucionar os desafios atuais de formulação e que novas combinações de excipientes podem proporcionar benefícios significativos para levar ao mercado uma terapia tão necessária, de acordo com Schäfer. Ele acrescenta que há atividades em andamento para melhorar a situação dos excipientes coprocessados, como a iniciativa conjunta do IPEC, do Grupo Europeu de Química Fina e do Comitê de Ingredientes Farmacêuticos Ativos (um grupo setorial do Conselho Euro- peu da Indústria Química) em relação aos Arquivos Mestre de Excipientes da União Europeia. “Esperamos que a situação regulatória para a combina- ção de excipientes seja facilitada no futuro, abrindo muitas novas oportuni- dades no setor farmacêutico”, conclui Schäfer PT

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