Pharmaceutical Technology Brasil - Sólidos 2019
Pharmaceutical Technology 24 Edição Especial SÓLIDOS 2019 camentos, permitindo tamanhos de lotes flexíveis, testes de liberação em tempo real e maior garantia da qualidade do produto através de estratégias de controle automatizadas, que reagem a distúrbios de processo”, continua Karry. Harald Stahl, chefe de desenvolvimen- to de aplicativos da GEA, ressalta que o setor está se afastando do popular e indo em direção ao desenvolvimento de medicamentos especializados voltados para doenças raras e órfãs. “Consequen- temente, o tamanho dos lotes diminui e, ao mesmo tempo, os preços por dose aumentam”, acrescenta. “Como resultado, as empresas estão analisando tecnologias que permitem o desenvolvimento neces- sário e atividades de ampliação de escala, enquanto usam quantidades mínimas de IFA - um dos principais fatores para o processamento contínuo”. “Mais do que nunca, as empresas farmacêuticas estão adotando uma abordagem holística ao formular novos medicamentos para que os pacientes fiquem no centro de tudo o que fazem”, diz Jessica Mueller-Albers, diretora de marketing estratégico para soluções de administração oral de medicamentos da Evonik. “Isso fortaleceu a demanda por soluções que podem melhorar as taxas de adesão do paciente e a preferência pela marca, tal como o desenvolvimento de formas farmacêuticas pediátricas ou geriátricas, bem como revestimentos que aumentam a capacidade de deglutição”. Além disso, Bruhalkumar Shah, cien- tista sênior de formulação do Cambrex, destaca que a terceirização do desenvolvi- mento e / ou fabricação farmacêutica para várias organizações contratadas também tem aumentado. Isso é o resultado de um aumento na atividade de fusões e aqui- sições, redução do tamanho de empresas farmacêuticas e o surgimento de empresas virtuais, explica ele. “Cada uma das tendências do setor, no entanto, exige excipientes ‘adequados à finalidade’ para superar as várias tarefas desafiadoras que os formuladores de medi- camentos OSD enfrentam”, enfatiza Karry. Considerações importantes para a seleção de excipientes “Deve-se considerar cuidadosamente a seleção de qualquer excipiente funcional ou não funcional, pois isto afeta muito a qualidade e a eficácia do produto aca- bado”, diz Shah. “Atenção especial deve ser dada aos excipientes funcionais, que podem afetar diretamente a estabilidade do produto ou alterar o desempenho farmacocinético, tal como em produtos de liberação controlada ou modificada”. Atualmente, os excipientes raramente são apenas agentes de volume, afirma Savla. “Em vez disso, esses agentes são cada vez mais utilizados para desempenhar uma função adicional, tal como melhorar a solubilidade. É altamente provável que vários excipientes, cada um com uma fun- ção diferente, sejam necessários”, observa ele. “Polímeros utilizados em dispersões sólidas amorfas retardam a recristaliza- ção de moléculas de fármacos amorfos. Entender a funcionalidade, a estabilidade e as interações do IFA e dos excipientes é primordial”. Karry acrescenta que a principal impor- tância é o entendimento das propriedades e da solubilidade do IFA em solventes comuns. “A partir daí, os métodos de triagem da formulação variam dependen- do de o excipiente ajudar a solubilizar o fármaco (por exemplo, por complexação ou sistemas de solução sólida em que o IFA é solubilizado em um transportador polimérico) e considerações farmacociné- ticas, tais como a taxa de administração (liberação instantânea ou modificada) e o local preferido de absorção do fármaco (solubilidade dependente do pH)”, diz ela. Considerações adicionais são feitas caso a caso, mas podem incluir auxiliares de processamento (deslizantes e lubrifi- cantes), dissuasores de abuso de drogas, revestimentos para mascarar sabores ou proteger contra umidade e antioxidantes para proteger o IFA de reações de oxida- ção, entre outros, afirma Karry. O primeiro passo é certamente a triagem da compatibilidade do IFA, es- pecificamente a estabilidade química e física em um painel de excipientes comuns utilizados em produtos aprovados pela regulamentação, concorda Savla. “O objetivo da triagem de compatibi- lidade é minimizar riscos, custos e tempo de desenvolvimento de formulações”, explica ele. “Algumas áreas principais de foco são manter o fármaco em um estado amorfo (para dispersões sólidas amorfas), mudança no polimorfismo e degradação química. Com base nesses resultados, é realizado o desenvolvimento do protótipo da formulação com outros ingredientes (aglutinantes, excipientes, desintegrantes, etc.). Para extrusão por fusão a quente, a miscibilidade do IFA e do polímero é importante, assim como a temperatura de fusão do polímero”. Sendo assim, é vital considerar a quantidade de excipiente na formulação, pois esta deve ser mantida sob a potência máxima permitida por dose. “Para pacien- tes pediátricos, o número de excipientes permitidos é bastante limitado”, continua Savla. “Uma formulação para adultos pode não ser aceitável para uso pediátrico pelas autoridades reguladoras, com base nos componentes. Portanto, o formulador é desafiado a projetar uma formulação dife- rente, mantendo a segurança e a eficácia”. Se estiver usando grandes quantidades de excipientes em uma forma farmacêuti- ca, pode ser necessário ter uma dose uni- tária maior ou que o paciente tome várias doses para alcançar a dosagem correta do IFA, o que pode levar a problemas de deglutição e adesão. “O formulador deve estudar a carga do medicamento ao es- colher polímeros para dispersões amorfas. Simplesmente escolher a formulação com a maior carga de fármaco não é recomen-
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