Pharmaceutical Technology Brasil - Sólidos 2019
Pharmaceutical Technology 6 Edição Especial SÓLIDOS 2019 Imagem de microscópio eletrônico de varredura de partículas revestidas com uma mistura de lipídios utilizando revestimento por fusão a quente (inserto: ampliação de uma partícula seccionada transversalmente). FIGURA 1 características de biodisponibilidade de um produto farmacêutico ou nutracêutico, selecionando uma combinação de pares de íons altamente solúvel. Outra abordagem relativamente direta é diminuir a taxa de dissolução, reduzindo a área de superfície do IFA. Isso pode ser alcançado utilizando cristais grandes em vez de partículas pequenas ou micronizadas. Embora essas abordagens possam ser eficazes para alguns produtos, para perfis de liberação mais prolongada são necessárias tecnolo- gias mais sofisticadas. Um meio alternativo de controlar a liberação de IFAs ou nutrientes para os quais perfis de liberação mais prolongada são necessários é o uso de várias estraté- gias de formulação. Uma das abordagens comuns é o uso de sistemas matriciais, que envolvem a mistura e a compressão do IFA ou ingrediente nutracêutico com um excipiente gelificante ou expansor que diminui a taxa de dissolução. Podem ser utilizadas várias matrizes, incluindo polímeros hidrofílicos ou hidrofóbicos ou excipientes lipídicos. Outra estratégia para o desenvolvimen- to de produtos de liberação prolongada é o uso de formulações com bombas os- móticas. Estas assumem a forma de um comprimido ou cápsula que consiste em um núcleo que contém IFA envolto por uma membrana semipermeável na qual um ou mais orifícios foram perfurados a laser. À medida que a formulação absorve água e incha, o IFA é lentamente forçada a sair pelo orifício por pressão osmótica. Embora essas formas farmacêuticas sejam mais tolerantes a variações nas condições gastrointestinais e sejam capazes de for- necer resultados muito consistentes, elas geralmente são proibitivas em relação ao custo para a maioria dos produtos de venda livre, como os nutracêuticos. Tecnologias de revestimento Uma abordagem eficaz e mais acessível para o desenvolvimento de produtos de liberação prolongada é o uso de tecnolo- gias de revestimento. Através da seleção cuidadosa de agentes de revestimento apropriados, a taxa de dissolução do nu- triente pode ser controlada, facilitando a liberação imediata, prolongada ou até retardada, dependendo dos requisitos do produto. A abordagem tradicional de reves- timento envolve o uso de uma solução de IFA e excipientes para revestir uma partícula-semente utilizando um processo de leito fluidizado. No entanto, uma gran- de limitação é o fato de que as partículas revestidas devem estar secas, o que exige grandes quantidades de tempo e calor, principalmente quando o solvente é água. Além disso, várias camadas de revesti- mento geralmente devem ser aplicadas, adicionando tempo e custo aos ciclos de fabricação. Como resultado, tecnologias alternativas de revestimento foram de- senvolvidas. O desafio de alcançar a entrega susten- tada de um ingrediente ativo ou nutriente pode ser alcançado com formulações de liberação prolongada. O revestimento por fusão a quente (HMC) é uma tecnologia al- ternativa mais adequada para a fabricação de formulações de liberação prolongada. O HMC envolve o revestimento de partí- culas do IFA ou nutriente com uma camada de excipiente lipídico (ver Figura 1). Durante a fabricação, as partículas- semente são suspensas em um revestidor de leito fluidizado, enquanto os excipien- tes fundidos são pulverizados sobre elas utilizando um bico aquecido. Como as partículas-semente são mantidas a uma temperatura mais baixa do que o ponto de fusão da mistura de excipientes, as gotículas fundidas umedecem as partículas e se solidificam no contato, resultando em uma camada de revestimento homogênea. Como nenhum solvente é envolvido, o processo é rápido, normalmente levando menos de duas horas para tamanhos de lo- tes comerciais. Além disso, uma vez que os parâmetros do processo foram otimizados, normalmente não são encontrados efeitos de cura ou sinterização, e efeitos colate- rais indesejáveis, como aglomeração, são bastante minimizados. Através da adição de emulsificantes apropriados à mistura de excipientes, a taxa de dissolução pode ser ajustada para atender aos requisitos do produto. O HMC é aplicável a uma ampla gama de formas farmacêuticas orais, incluindo comprimidos multicamadas, sistemas de múltiplos pellets unitários e cápsulas de gelatina rígidas. No entanto, quando utilizadas para criar produtos de liberação prolongada, essas formulações podem ser problemáticas. Como as formulações de liberação pro- longada costumam ter uma dosagem mais alta que os produtos de liberação imediata, os comprimidos e cápsulas tradicionais geralmente devem assumir uma forma maior, o que pode representar dificuldades de engolir para muitas pessoas. Para superar isso, muitas pessoas re- correm a esmagar, dissolver ou mastigar seus comprimidos (e alguns nem sequer os tomam) (2). Essas abordagens podem quebrar o me- canismo de liberação prolongada e resultar na administração de uma dose grande única, com consequências potencialmente perigosas para a saúde. No entanto, o HMC pode ser utilizado para fabricar grânulos desintegráveis orais (ODGs) - uma forma farmacêutica que
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