Pharmaceutical Technology Brasil - Sólidos 2020
Pharmaceutical Technology 20 Edição Especial SÓLIDOS 2020 Gerenciamento de interações entre excipientes O s excipientes são componentes es- senciais das formulações de medicamen- tos. Embora sejam fisiologicamente iner- tes, possuem funcionalidades que atingem muitas metas de formulação, como estabi- lização do IFA, mascaramento do sabor e liberação prolongada. “Excipientes funcio- nais exercem um papel integral no alcance do desempenho biológico desejado de muitas formulações de medicamentos’, afirma Robert Lee, presidente do departa- mento de CDMO da Lubrizol Life Science Health. No entanto, muitos excipientes, dependendo da estrutura do IFA, da forma farmacêutica, configuração de embalagem e condições de armazenamento, manuseio e uso, também podem interagir por meio de mecanismos que impactam a eficácia e segurança de maneira negativa. O desafio é identificar os excipientes corretos para cada formulação. Cynthia A. Challener , PhD, é editora contri- buinte da Pharmaceutical Technology Europe. Este artigo foi publicado anteriormente na Pharmaceutical Technology Europe Vol. 31 Nº12 (2019) e na Pharmaceutical Technology Sudamérica Suplemento Sólidos 2020. Traduzido por DMV International Traslations Cynthia A. Challener O fundamental é garantir que os excipientes somente inte- rajam com os IFAs por meio dos mecanismos desejados Muitas interações possíveis As interações entre excipientes e IFAs, podem ocorrer por meio de mecanismos químicos e também físicos. “Muitos IFAs de moléculas pequenas, são inerentemen- te complexos e, possuem vários grupos funcionais que podem passar por diversas reações de forma simultânea ou sequen- cial”, diz Anil Kane, diretor executivo e chefe global de assuntos técnicos e cien- tíficos da Thermo Fisher Scientific. Assim, a degradação de agentes farmacêuticos é uma área complexa. Os principais mecanismos para decom- posição química de agentes farmacêuticos com outros excipientes incluem hidrólise, desidratação, oxidação, isomerização/epi- merização, descarboxilação, dimerização, polimerização e fotólise, de acordo com Kane. A complexação com excipientes para formar sais também é possível. Em alguns casos, o excipiente em si não interage inicialmente de maneira negativa com o IFA. Para isso, ele deve primeiro sofrer uma reação química para gerar uma nova variedade que possa afetar o IFA. Por exemplo, Lee observa que alguns polímeros insaturados podem, na presença de oxi- gênio, formar peróxidos que irão realizar a degradação oxidativa de IFAs instáveis. “Embora muitas vias de degradação sejam óbvias a partir de princípios básicos de química orgânica, não é raro observar degradação química imprevista levando à degradação inesperada de produtos e vias”, observa Kane. As interações físicas incluem interações de meios hidrofóbicos e hidrofílicos e in- terações que afetam o tamanho e formato da partícula. Por exemplo, em suspensões de nanopartículas, os excipientes são fisicamente adsorvidos pelas superfícies das nanopartículas do IFA via interações estéricas ou entre cargas. Na verdade, a forma farmacêutica de- sempenha uma função na determinação de possíveis interações que podem ocorrer.
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