Pharmaceutical Technology Brasil - Sólidos 2020
Pharmaceutical Technology 27 Edição Especial SÓLIDOS 2020 Bordeaux (1). Uma bolha de ar aprisionada começa a surgir na superfície do compri- mido a uma pressão logo abaixo da pressão em que a laminação (rachaduras) pode ser observada. A aplicação de pré-compressão é, então, uma solução eficiente. Esta etapa de desaeração ajudará a remover o excesso de ar. A relação entre pré-compressão e compressão principal pode ser estudada. Uma taxa de pré-compressão de 10 a 30% é normalmente utilizada na fabricação em escala comercial. Este aprisionamento de ar também pode vir de uma folga justa da ferramen- ta de compressão. Cada fabricante tem sua própria tolerância mecânica entre a ponta do punção e o furo da matriz. No entanto, uma tolerância muito justa não é recomendada, pois o ar terá dificuldade de escapar do leito do pó e criará bolhas de ar. Inversamente, uma tolerância muito grande cria perda de pó principalmente no punção inferior. Um instrumento de compressão pode ser utilizado para solucionar problemas ou prever problemas de laminação. Em um estudo realizado com um dos clientes da Medelpharm, uma mistura foi compactada em um instrumento de compressão de punção único de alta velocidade utilizando ferramentas de compressão de dois forne- cedores diferentes. Mimetizando uma prensa de compri- midos giratória Kikusui a alta velocidade, os comprimidos feitos com o primeiro conjunto de punção não apresentaram laminação. Os comprimidos feitos com o segundo conjunto de punção revelaram laminação, embora todos os parâmetros do processo tenham sido idênticos nos dois conjuntos de punção. A causa da laminação foi atribuída à diferença de tolerâncias mecânicas entre a ponta do punção e o furo da matriz. Neste caso, o instrumento de compressão foi utilizado para solucionar problemas de fabricação e apontar o parâmetro a ser ajustado (ou seja, mudar o fornecedor do punção). O efeito das tolerâncias mecânicas na fase de formulação é algo que os cien- tistas de formulação poderiam levar em consideração. Este exemplo demonstra que tais parâmetros de processo devem ser considerados nas primeiras etapas do QbD. Capping. O capping tem sua origem na natureza química dos excipientes e dos IFAs, na forma do comprimido e nos parâmetros do processo, tais como velocidade da torre, espessura da borda / compressão (e força de compressão re- sultante) ou profundidade de inserção (ou seja, profundidade de penetração). O cap- ping é negativamente famoso por ocorrer geralmente durante o escalonamento, seja na fase de fabricação clínica ou durante o escalonamento em uma prensa giratória de tamanho comercial. Caso o capping do comprimido seja descoberto em uma fase tardia, a reformulação provavelmente não será mais uma opção. O primeiro parâmetro do processo que pode ser ajustado é a convexidade do comprimido, modificando-se o raio da ponta do punção para reduzir a tendência de capping. A simulação computacional (2) utilizando modelagem de elemento finito mostrou que uma tensão radial (isto é, cisalhamento) aparece na tampa do comprimido quando a ponta superior do punção se afasta da superfície do comprimido. O punção superior primeiramente perde o contato no campo (ou seja, a pe- quena porção plana que circunda a ponta do punção), criando tensão na direção radial, explicando por que o capping ocorre na região do campo. Alguns especialistas experientes em produção de comprimidos sabem que quanto maior a curvatura (ou seja, quanto menor o raio), maior o risco de tendência ao capping. Sendo assim, a curvatura se torna outro parâmetro do processo a ser avaliado em uma aborda- gem QbD. O “achatamento” do comprimido tem seus limites, especialmente quando os comprimidos precisam ser revestidos com filme. Tentar revestir comprimidos de face plana geralmente resulta em um defeito conhecido como “geminação de comprimidos”, quando dois comprimidos ficam colados. O segundo parâmetro do processo que pode ser ajustado após o formato da fer- ramenta é a pré-compressão. Ela remove o excesso de ar no interior do leito de pó e, muito provavelmente, aumenta a coesão dos comprimidos. Essa coesão adicional muito provavelmente contrabalanceia a tensão de cisalhamento inerente à forma do comprimido e evita o capping. O terceiro parâmetro do processo é a profundidade de inserção, também chama- da de penetração do punção superior. Ao compactar mais fundo na matriz, a pressão aplicada torna-se simétrica, densificando e criando coesão igualmente em ambos os lados do comprimido. Semelhante ao ajus- te da pré-compressão, a coesão adicional na parte superior do comprimido pode ser suficiente para evitar o capping. Um quarto parâmetro do processo é a espessura da borda / compressão (ou seja, a distância do punção). Ao aumentar a espessura de compressão, a força de compressão é mecanicamente diminuída e o capping deve desaparecer rapidamente. A força de quebra do comprimido (coe- são) também é reduzida e, provavelmente, muda o tempo de desintegração e também os perfis de dissolução. Esse parâmetro do processo precisa ser avaliado com cuidado. Ajustar todos esses parâmetros utili- zando uma prensa de tamanho comercial é demorado e requer grandes quantidades de mistura, mas é possível avaliar o cap- ping utilizando prensas de punção único com alta capacidade de taxa de tensão. Os experimentos descritos anteriormente podem ser realizados em tais simuladores de compactação para solucionar defeitos de comprimidos com pequenas quantida- des de mistura em tempo hábil. Kleber@molkom.com.br www.molkom.com.br RuaAndaluzita,114 -Carmo 30310-030 -BeloHorizonte -MG -Brasil + 55 (31) 99875-7089
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