Pharmaceutical Technology Brasil - Sólidos 2020

Pharmaceutical Technology 30 Edição Especial SÓLIDOS 2020 Lubrificante A avaliação do lubrificante e a deter- minação da criticidade de certos atributos do material também devem ser realizadas. Acredita-se amplamente que uma quantidade de 0,5 a 1% de lubrificante seja necessária na formulação do compri- mido. Mas isso está correto? O atributo de qualidade óbvio a ser observado é a força de ejeção. No entanto, existem outros QAs que podem ser estudados. Primeiramente, a força de ejeção é apenas o pico do sinal completo da força de ejeção. Observando- -se de perto o sinal, é possível observar oscilações no sinal logo após o pico (con- sultar Figura 3). Mesmo que o pico da força de ejeção ainda seja bastante baixo, isso é um sinal de que a colamento da matriz (também conhecido como estanqueidade) está ocorrendo. Uma abordagem menos co- mum é considerar também o coeficiente de transmissão (4), definido como a razão entre a força do punção superior e inferior. Para medir essas forças, uma prensa de P & D precisa ser equipada com sensores de força em ambos os punções e ser capaz de operar o punção de maneira não simétrica. Tecnologias mais antigas e comuns, tais como prensas de P & D excêntricas, podem funcionar quando bem instrumentadas. A força de compressão registrada pelo punção inferior será sistematicamente menor que a força registrada pelo punção superior. A densificação do pó ocorre pri- meiramente no lado superior do leito de pó. A energia fornecida ao sistema será parcialmente perdida devido ao atrito entre as partículas e entre as partículas e o furo da matriz. Essa perda de energia resulta na me- dição de uma força de punção inferior. A meta do coeficiente de transmissão deve ficar entre 90% e 100%. Uma taxa de transmissão baixa, tal como 70%, pode estar ligada à lubrificação ineficaz. Observando-se o pico do sinal de ejeção, as oscilações do sinal de ejeção e a taxa de transmissão, a quantidade de lubrificante e seu processo de mistura associado agora podem ser otimizados. Diferentes graus de estearato de magnésio, um lubrificante bem conhecido, com diferentes áreas su- perficiais específicas, podem proporcionar lubrificação bem diferente. Recuperação elástica A recuperação elástica é outro parâ- metro raramente avaliado. A aquisição desses dados exige que a prensa de com- primidos seja instrumentada com sensores de posição. A recuperação elástica é a diferença entre a espessura do comprimido medida fora da matriz, com um calibrador, por exemplo, e a espessura do comprimido na matriz medida pelos sensores no pico da compressão. A recuperação elástica é fre- quentemente ligada à laminação, uma vez que pode criar microfraturas nos compri- midos. Portanto, a coesão interparticular é reduzida, podendo ocorrer laminação. Como exemplo, o excipiente de fosfato de cálcio exibe uma recuperação elástica em torno de 4%. Mas alguns polímeros de liberação sustentada podem chegar a 20%. De modo geral, recomenda-se associar ingredientes com propriedades mecânicas semelhantes, especialmente quando se formulam comprimidos de duas camadas, nos quais uma camada elástica pode in- duzir uma separação de camadas. Força de compressão A força de compressão é muitas vezes considerada como um parâmetro do pro- cesso. Na verdade, é primeiramente um atributo de qualidade. Em uma prensa de comprimidos giratória básica, um operador pode ajustar a altura de dosagem (e seu atributo de qualidade correspondente de “peso do comprimido”) e a espessura da aresta/compressão. A força de compressão é então medida por medidores de tensão localizados nos rolos de pressão. Diminuir a espessura de compressão resulta no au- mento da força de compressão e viceversa. Essa é a principal razão pela qual mui- tas pessoas pensam que este botão de espessura de compressão está controlando a força de compressão. Portanto, quando o operador aumenta a altura de dosagem, a força de compressão também aumenta. Nesse caso, a força de compressão não pode ser um parâmetro de processo e, na verdade, é um atributo de qualidade. Por outro lado, as modernas prensas giratórias de comprimidos são equipadas com um “circuito de controle de peso”. Este circuito de controle depende basica- mente da relação existente entre o peso do comprimido e a força de compressão. (Uma exceção é a GEA, anteriormente Courtoy, que usa a relação entre o peso do comprimido e a espessura do comprimido). Os medidores de tensão que medem a força de compressão são os indicadores para monitorar o peso do comprimido. Qualquer variação da força de compressão é uma indicação de uma variação do peso do comprimido, muito provavelmente devido a uma densidade de mistura não uniforme e fluidez entre o início e o fim do lote. Um circuito de controle muda ele- tronicamente a altura de dosagem para manter a força de compressão dentro do valor-alvo (ou seja, valor definido). Uma prensa de produção é mecanicamente projetada para comprimir o leito de pó em um volume determinado, garantindo que força semelhante indique peso semelhan- te. Nesse caso, o ponto definido específico da força de compressão é um parâmetro do processo. Dependendo do contexto, a força de compressão é um QA e um PP. Considerar a força de compressão como um QA pode ajudar um formulador a ace- lerar o desenvolvimento do comprimido, representando graficamente a relação

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