Pharmaceutical Technology Veterinária - 2019
Pharmaceutical Technology 19 EdiçãoEspecial VETERINÁRIA2019 A pressão positiva é normalmente utili- zada para proteger o produto, tal como em um processamento asséptico em que ela mantémmateriais estranhos longe da área sensível. Por vezes, tal como na produção de vacinas, a pressão positiva é necessária para proteger a área de produção crucial, enquanto, em relação ao ambiente ex- terno maior de produção, a área deve ser simultaneamente negativa. Desta forma, o processo crucial é protegido enquanto contém os agentes biologicamente ativos e, assim, protege o ambiente externo de produção. Vestuário. O vestuário possui várias funções. Em primeiro lugar e mais crucial, trata-se de proteger o produto. O corpo humano está gerando continuamente partículas através da perda de cabelos, queda de pele morta, exalação e saliva. Das fontes potenciais de contaminação em salas limpas, as pessoas geram a maioria, e uma maior atividade aumenta a taxa de liberação desses contaminantes. O vestu- ário (ou seja, a cobertura de cabelo e pele expostos e, em alguns casos, do nariz e da boca) contém contaminantes e protegem a área de produção dos operadores. Ao trabalhar em tais áreas, resíduos podem se acumular sobre as superfícies expostas dos materiais do vestuário. Se o pessoal entrar em outras áreas, o resíduo pode ser trans- ferido, causando assim a contaminação cruzada. Procedimentos de paramentação podem impedir estes contaminantes de passarem entre espaços adjacentes, exi- gindo o descarte de vestuários usados e vestir-se novamente antes de entrar em outra área de produção. Fluxo unidirecional. Intimamente relacionado ao vestuário e à prevenção da contaminação cruzada de espaços adjacentes está a aplicação de fluxo unidirecional de pessoas, materiais, equi- pamentos e resíduos, que ocorre quando o progresso através de uma planta ocorre de forma linear, de modo que haja sequências de entrada e saída segregadas através das áreas de produção críticas. O fluxo uni- direcional garante que estas áreas sejam acessadas apenas uma vez antes da saída. Uma ilustração simples é encontrada no fluxo de pessoal. A entrada é altamente controlada e ocorre somente através de um vestiário ou sequência de paramentação. Uma vez acessada uma área de produção crucial, o pessoal deixa essa área através de uma saída separada e retira o vestuá- rio. O vestuário que tenha sido exposto a contaminantes é descartado, garantindo assim que o resíduo de superfície não possa ser transferido para outros espaços. Para entrar em outra área de produção, o operador deve vestir-se novamente de for- ma adequada para o próximo espaço. Em uma instalação de fluxo unidirecional, este movimento linear é aplicado às diferentes categorias de fluxo, incluindo material, equipamentos e resíduos. Espaços de transição. Espaços de transição estão intimamente relacionados e muitas vezes confundidos com salas de paramentação. Embora eles sejam frequentemente o mesmo espaço, suas finalidades são independentes. Espaços de transição são utilizados para alcançar pressurização adequada e para manter a integridade de zonas de classificação diferente. Quando estes também podem ser utilizados como salas de paramen- tação, um grau elevado de eficiência é alcançado. Em uma sequência com pressão em cascata, passando através de duas portas interligadas de um espaço de transição, assegura que a área de produção mantém sua pressurização global. Além disso, espaços de transição podem ser pressurizados positivamente para criar uma bolha de pressão ou pressurizados negativamente para criar um dissipador de pressão. Dependendo do layout específico e das necessidades da instalação, estas são ferramentas que podem ajudar a proteger a área de produção principal, garantindo uma contenção adequada. Limpeza. Para manter a funcionalidade dos espaços de produção, a limpeza de rotina é uma atividade principal. O tipo de medicamento, sua exposição dentro da sala e os processos de limpeza ditam os procedimentos adequados. Atividades de limpeza podem variar de simples aspiração e limpeza com pano até lavagem robusta com mangueira e até mesmo fumigação. Os agentes utilizados e a intensidade da atividade de lavagem controlam as opções de materiais e acabamentos de salas e equipamentos. Para suportar esses proce- dimentos, a interação com os materiais de acabamento deve ser avaliada e seleções apropriadas feitas. Praticamente todos os espaços de produção geram pelo menos algumas ferramentas e equipamentos que requerem limpeza em lavatórios dedicados. Onde localizar esses processos sujos em re- lação à produção principal e como retornar os materiais limpos é uma consideração significativa na manutenção da limpeza de uma área. Os lavatórios precisam ser integrados no estabelecimento das zonas de limpeza. Gestão de riscos de qualidade. A con- sideração final e talvez a mais importante, porque informa todas as outras, é a gestão dos riscos de qualidade. Avaliando os riscos de qualidade dentro de cada um dos fatores discutidos facilita decisões informadas e baseadas em evidências. A norma atual reconhecida pelo FDA e globalmente é a Conferência Internacional em Harmoniza- ção (ICH) Q9 Gestão de Risco de Qualidade. A metodologia descrita nesta norma torna possível a identificação disciplinada de áreas reais de risco em oposição aos riscos assumidos ou percebidos. Ela proporciona um alto nível de garantia de que riscos potenciais sejam tratados de forma eficaz. Enquanto instalações foram previamente desenvolvidas utilizando uma série de re- gras de ouro e crenças comuns, atualmente há uma demanda crescente de que esta abordagem disciplinada seja utilizada. Conclusão A prevenção da contaminação do produto é uma preocupação primordial no projeto e operação de instalações de fabricação de produtos farmacêuticos. Para apoiar e proteger as várias fases de fabricação é necessário possuir zonas de limpeza claramente definidas. Aplicar os fatores discutidos neste artigo pode criar zonas de higiene que oferecem di- ferentes níveis de proteção ao produto. O estabelecimento de cada zona deve ser apropriado para os processos, exposição do produto e risco de contaminação que estão presentes. No centro da instituição de zonas que satisfazem estas necessida- des está a aplicação da análise de riscos de qualidade. No ambiente regulador de hoje, regras de ouro não são mais adequadas. Ao avaliar cuidadosamente as necessidades e os riscos inerentes ao processo que está sendo mantido, zonas de higiene podem ser devidamente aplicadas. O resultado é uma maior garantia de qualidade do produto, otimizando simultaneamente a produtividade e o custo dos produtos PT Referências 1. ISO, ISO 14644-1 Cleanrooms and associated controlled environments—Part 1: Classification of air cleanliness (Ge- neva, 1999). 2. EC, EudraLex Volume 4: Good manufacturing practice Guide- lines, “Annex 1, Manufacture of Sterile Medicinal Products,” (Brussels, 2008). 3. ISPE, “Glossary of Pharmaceutical and Biotechnology Terminology, ”www.ispe.org/glossary. 4. ISO, ISO 14644-6 Cleanrooms and associated controlled environments–Part 6: Terms and Definitions (Geneva, 2007).
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NzE4NDM5