Pharmaceutical Technology Veterinária - 2019
Pharmaceutical Technology 22 Edição Especial VETERINÁRIA 2019 mínimos de letalidade aumentaram, e con- troles adicionais (e às vezes questionáveis) foram impostos em praticamente todos os aspectos dos processos de esterilização (5-6). Essas mudanças resultaram em aumentos desnecessários na letalidade do processo sem considerar se os materiais a serem esterilizados permanecerão aceitá- veis para a utilização pretendida. Com exceção do aço inoxidável e de alguns outros, os materiais a serem es- terilizados estão sujeitos a alguns efeitos adversos durante o processo de esteriliza- ção. Por exemplo, calor excessivo pode ser prejudicial para as propriedades químicas/ físicas de formulações farmacêuticas, diminuindo sua validade e aumentando a degradação. O calor também pode im- pactar adversamente recipientes de vidro, criando marcas na lamela e aumento do número de partículas. Condições extremas podem alterar as propriedades físicas dos materiais elastômeros (por exemplo, recipientes, juntas, mangueiras, filtros) com mudanças potenciais no durômetro. Radiação excessiva causa mudanças fí- sicas e químicas consideráveis em quase todos os materiais. Processos prolongados de esterilização a gás, líquido ou vapor podem resultar em corrosão, adsorção excessiva e reação química nos materiais e equipamentos. O tamanho de poro do filtro cada vez mais restritivo reduz o ren- dimento, aumenta a pressão operacional e pode aumentar os materiais extraíveis/ lixiviáveis no fluido. Uma margem realista de segurança pode ser adicionada a um processo, mas exigir letalidade é inútil depois de certo ponto. A indústria alimentícia usa essa abordagem na esterilização, tornando-a uma prioridade para manter as proprieda- des organolépticas dos materiais alimen- tícios. No setor da saúde, entretanto, essa preocupação é amplamente ignorada, e os efeitos das condições severas de processo em materiais raramente são considerados, exceto na esterilização terminal por calor úmido ou radioterapia. Processos extremos de esterilização podem alcançar níveis maciços de redução de log de esporos de um microrganismo indicador biológico altamente resistente, mas eles criam dois problemas: • Impacto adverso na qualidade do pro- duto, na validade e em outras proprieda- des, quando um processo excessivamente rigoroso danifica os materiais • Maior risco para os pacientes se o fabricante optar pelo processo asséptico, quando a esterilização terminal seria melhor A abordagem adequada na esterili- zação deve equilibrar as necessidades para alcançar a letalidade e preservar os atributos de qualidade do material. Atingir este equilíbrio exige um maior conhecimento dos processos de esterili- zação, especificamente o seu efeito sobre os microrganismos e sobre os materiais a serem esterilizados. Recentemente, a Convenção da Far- macopeia dos Estados Unidos (USP) tem tomado medidas para corrigir as consequências negativas do excesso de processamento durante a esterilização, concentrando maior atenção na biocarga de pré-esterilização (7, 8). Processos de esterilização de rotina devem ter como objetivo destruir a biocarga a uma pro- babilidade de, no máximo, uma unidade não estéril em 1.000.000. A identidade, população e resistência do indicador biológico são menos importantes, porque o organismo não define o processo de esterilização, mas, em vez disso, faz sua medição. Os processos de esterilização não devem ser mais letais do que o necessário para repetidamente destruir a biocarga em níveis seguros, maximizando a preservação de atributos de qualidade essenciais do material. Afinal de contas, só é possível matar um micro-organismo uma vez. Podemos falar de “múltipla eliminação”, mas no mundo real, alguém pode “elimi- nar múltiplas vezes” o que já está morto? O empilhamento de condições de “pior caso” sobre as considerações existentes de “pior caso” não beneficia ninguém. Na opinião dos autores, qualquer processo de esterilização que exceda um F 0 de 10 - 12 minutos é excessivo e foi desenvolvido com atenção excessiva a fatores (muitas vezes reais ou expectativas regulatórias percebidas) que não estão relacionados com a segurança do paciente. Alguns pro- fissionais e entidades reguladoras impõem requisitos regulatórios não científicos sem compreender os princípios microbiológicos em funcionamento na esterilização e a segurança do paciente ou, talvez, sem considerar totalmente as consequências adversas possíveis do processamento exagerado. É possível que materiais e produtos possam ser esterilizados com segurança com o uso de métodos que saem da ex- pectativa atual de letalidade. É essencial que a indústria permaneça aberta aos avanços científicos e técnicos, tais como abordagens de entrada térmica inferiores, para garantir os melhores resultados pos- síveis ao paciente. Processamento asséptico: comprovadamente seguro, mas não estéril Um processo asséptico que alcança a segurança através da exclusão de micror- ganismos dos produtos depende muito da capacidade de esterilizar e despirogenar os materiais a serem montados em forma de dosagem estéril. Após a esterilização, os itens estéreis devem ser usados em condições controladas cuidadosamente. A introdução de novas tecnologias no processamento asséptico tem paralelos em outras indústrias, e as melhorias operacionais dos últimos 20-30 anos, tal como automação e separação da equipe do processo, sem dúvida, continuarão (9). Embora os projetos avançados sejam cada vez mais prevalecentes, o processa- mento asséptico atual é realizado através de abordagens que variam do totalmente manual ao altamente automatizado. Com relativamente poucas exceções, os sistemas de processamento asséptico têm produzido consistentemente produtos estéreis. Questões que surgem em rela- ção à aceitabilidade de uma estrutura de produção asséptica têm sido baseadas em inferências projetadas a partir de práticas de monitoramento e documentação. A contaminação de produtos assépticos ou, talvez mais corretamente, a percepção de contaminação, é normalmente o resultado de inferências bem intencionadas, mas cientificamente não comprovadas por par-
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