Pharmaceutical Technology Veterinária - 2019
Pharmaceutical Technology 23 EdiçãoEspecial VETERINÁRIA2019 te dos investigadores reguladores (2-4). É preocupação dos autores que expectativas irracionais possam levar ao excesso de in- terpretação de dados limitados, subjetivos ou analiticamente ambíguos, resultando em uma afirmação injustificada de uma “falta de garantia de esterilidade”. No centro dessas expectativas existe um erro básico - que “asséptico” significa “estéril” ou que o ambiente deve ser es- téril para que o processamento asséptico aceitável seja executado. Mesmo que, na verdade, ser esterilizado numa ope- ração asséptica seja o ideal, a indústria não dispõe de meios para provar que a esterilidade existe, porque não pode de- monstrar objetivamente uma esterilidade negativa absoluta. Impugnar operações assépticas que não são “estéreis” é ignorar a realidade. Nenhum monitoramento, simulação de processo ou teste de esterilidade pode garantir esterilidade em um ambiente asséptico. O inverso também é verdade: a detecção de contaminação microbiana em uma amostra ambiental não estabe- lece que a contaminação esteja presente em unidades enchidas neste ambiente. As oportunidades para a contaminação aci- dental estão sempre presentes, e a amos- tragem de ambientes assépticos é analítica e estatisticamente limitada. Além disso, a incerteza decorre da possibilidade sempre presente de que qualquer amostra positiva pode ser um resultado falso positivo. Embora os autores respeitem o con- ceito de erro de segurança, a prática não pode ser levada muito longe. O objetivo do processamento asséptico deve ser a segurança do usuário final; a segurança e esterilidade não são a mesma coisa. O maior risco para a população de pacientes pode ocorrer com a indisponibilidade do produto, ao contrário da imaginada, mas geralmente impossível de provar, “falta de garantia de esterilidade”. O processamento asséptico de materiais estéreis é uma tarefa complexa, e muitas influências devem ser levadas em conta para avançar o conceito de esterilidade por design (SbD) (10). Considere o seguinte: • Monitoramento ambiental, simula- ções de processo e teste de esterilidade não são medidas de controle e não fazem nada além de fornecer meios limitados de avaliar o processo e, em menor grau, a capacidade da estrutura. • O sucesso no processamento assép- tico não é uma contagem regressiva. Há considerações diretas mais importantes a serem abordadas para um resultado satisfatório. • O monitoramento ambiental não é um modo preciso de medir a segurança do produto ou a garantia de qualidade, e aumentos posteriores da intensidade do monitoramento não mudarão esse fato. • O sucesso é entendido como depen- dente do controle de separação e inter- venção do operador. • Se o processamento asséptico pode ser conduzido com a maior segurança, é por causa da melhoria de equipamentos e controles operacionais. A garantia da esterilidade deveria ser considerada um desafio de engenharia, não um problema microbiológico analítico. • Em escala comercial, a capacidade de contaminação do processamento asséptico está atualmente estimada em 1/ 10.000 unidades ou menor. A preponderância de evidência indica que isto é suficientemente seguro para a saúde pública. A indústria não deveria criar a impres- são de que o processamento asséptico, quando utiliza práticas modernas atuais, é uma tecnologia não segura ou com segu- rança limitada. Pode haver a preocupação legítima sobre os riscos de contaminação quando um processo inclui uma série de operações abertas e bastante complexas, ou quando as formas de dosagem finais são produzidas manualmente, sem o uso de tecnologia de separação, tais como isoladores. O risco para o paciente das atividades de processamento asséptico comerciais realizadas de acordo com boas práticas de fabricação atuais (cGMPs) deveria ser entendido como baixo. Avaliando a esterilização terminal A divisão entre processamento assép- tico e esterilização terminal sempre foi considerada importante (11). Os dogmas rígidos que definem a aceitabilidade dos processos de esterilização terminal são muitas vezes baseados em conceitos que são irracionalmente conservadores e ina- dequados atualmente. Similarmente, hoje é óbvio que nem todas as tecnologias de processamento asséptico são equivalentes em capacidade de processo. A indústria está à beira de uma nova compreensão com relação a esses métodos principais de produção. Melhorias da capacidade dos equipa- mentos e uma compreensão mais racional da microbiologia trazem oportunidades para meios cada vez mais seguros e custo- -efetivos para a produção de produtos estéreis. A indústria deveria ter a flexibilidade para projetar processos de esterilização terminal que façam mais sentido de uma perspectiva de segurança microbiológica e de engenharia. Regulações e árvores de decisão que impedem que os cientistas da indústria estabeleçam processos seguros benéficos para o paciente são exemplos de má prática regulamentar ou de nor- malização. A noção de que a esterilização terminal eficaz começa no valor F 0 de 8 ou 15 minutos é completamente errada e desnecessariamente restritiva (12). A cau- sa mais provável para esta rigidez é a falsa crença de que a resistência do indicador biológico (e, portanto, destruição) está correlacionada diretamente à segurança do produto; em outras palavras, deve matar pelo menos um milhão dos esporos mais resistentes disponíveis para alcançar um PNSU de 10-6. Este mal-entendido, combinado com a crença de que os cien- tistas e engenheiros de projeto de processo da indústria são incapazes de fazer esco- lhas apropriadas para a confiabilidade do processo e para a segurança do paciente, apoia a lógica falha que apoia os requisitos rígidos e dogmáticos da esterilização. A convicção prevalecente de que a G. stearothermophilus , devido a sua elevada resistência ao calor úmido, é um requi- sito para a demonstração da segurança do processo na esterilização terminal é claramente errada (2, 3). A insistência do uso de G. stearothermophilus e os ciclos F 0 altos que, inevitavelmente decorrem de seu uso, na verdade aumentam o risco para o paciente, porque requisitos excessivos de letalidade mínima dos processos de esterilização fazem com que os usuários selecionem um processo asséptico. Esta decisão contraria a preferência quase universal pelo uso de esterilização terminal em vez de processamento as- séptico. Um processo proposto de esteri- lização terminal que pode ser incapaz de matar um grande número de G. stearother- mophilus não patogênico (cepas isoladas de biocarga altamente improváveis), mas que pode repetidamente destruir os espo- ros menos resistentes e todos os patógenos de importância médica, é um processo
Made with FlippingBook
RkJQdWJsaXNoZXIy NzE4NDM5